quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A interpretação popular do tempo... Cultura milenar!


A interpretação popular do tempo

A Lua

Irmã de Apolo, filha de Júpiter e autorizada a permanecer solteira, a Lua tem sido a raínha incontestada da meteorologia popular. Muitas vezes nos surpreende quando se eleva imensa e brilhante na noite. A sua imagem atravessa obliquamente as camadas de ar, as quais, portadoras de um elevado grau de humidade se comportam como uma enorme lupa.



Se a Lua nos apresentar um aspecto brilhante, com contornos bem nítidos é sinal de tempo bom e seco, mas se pelo contrário, ela estiver esfumaçada, com côr pálida, contornos esbatidos e cercada por um anel esbranquiçado, é sinal de mau tempo, ou pelo menos, de tempo húmido. Como diz o ditado: “Lua à tardinha com seu anel, dá chuva à noite ou vento a granel”.



Se ao nascer, a Lua apresentar uma cor vermelha, é sinal de vento. Se a luz for amarelada indica-nos chuva. Na Lua Nova e nos primeiros dias seguintes, se a luz for pálida e se aparecerem halos (círculos luminosos que por vezes aparecem em volta do Sol e dos Planetas), é sinal de chuva. Quando ao nascer e ao pôr da Lua, se sentir uma pequena aragem de mau tempo, esta mesma aragem aumentará, o mesmo acontecendo com a chuva, mas não acontecendo, no entanto o mesmo, com o vento em caso de bom tempo.
Existem diversas crenças populares de interpretação errada relativamente à Lua e que não assentam em qualquer base ciêntifica, como seja por exemplo, a de que nas proximidades da Lua Nova há maior probabilidade de mau tempo e de que o vento é mais forte nas noites escuras do que nas noites claras. Esta circunstância resulta, apenas da influência da escuridão da noite no nosso espírito, o que torna mais pesado o ambiente em que nos encontramos e que iluminado pelo Sol ou pela Lua, nos daria a impressão de uma maior tranquilidade. Esta razão leva os marinheiros a acreditar que o Sol e a Lua comem o vento e que este aumenta e refresca quando a Lua se esconde do horizonte, o que deu lugar ao ditado muito conhecido “Lua deitada, Marinheiro em pé”. No entanto, quase todos interpretam erradamente este ditado, pois como é sabido, a primeira parte da Lua deitada não se refere à posição mais ou menos horizontal da Lua nos Quartos e Lua Nova, mas sim ao facto dela já se ter escondido no horizonte, o que torna a noite mais escura e obriga por isso, a uma maior e mais atenta vigilância, quando se navega. Esta será a verdadeira interpretação deste ditado, e não a que geralmente se lhe dá.
Também é vulgar dizer-se sem qualquer razão científica que tal justifique, que o tempo que fizer no quinto dia depois da Lua Nova será o que mantém até ao final dessa lunação. “Se pinta quinta, se pinta em quinta, trinta”.
Diz.se, ainda, que se trovejar na Lua Nova, é de crer que o tempo será chuvoso até ao fim da lunação, e daí o ditado  “Lua Nova trovejada, trinta dias é molhada”.






Depois de falar dos indícios fornecidos pela Lua, vamos agora falar dos que nos são fornecidos pelas estrelas.

As estrelas

 Em noites em que o céu se apresente limpo, se as estrelas tiverem pouco brilho, é sinal de mau tempo e chuva. Por isso se diz: “Sem nuvens o céu, e estrelas sem brilho, verás que a tormenta te põe num sarilho”.
Se pelo contrário, elas tiverem muito brilho e cintilarem com intensidade, será sinal de que haverá mudança de tempo e se o brilho for mesmo excepcional, indica-nos que o vento aumentará de intensidade, ou que existe a possibilidade de chuva.
Se no Verão, com vento Leste, as estrelas se nos afigurarem de um tamanho bastante maior do que o normal, é sinal de chuva para muito breve. Quando elas nos aparecem em grande número e com um cintilar muito vivo, é sinal de frio no Inverno e bom tempo no Verão.



Como verificamos, de uma maneira geral, todos os elementos da natureza são capazes, quando observados em determinadas circunstâncias, de nos fornecer indicações para a previsão do tempo, e assim, continuando, falaremos agora do nevoeiro:

O nevoeiro

O nevoeiro, normalmente, é prenúncio de bom tempo, embora por vezes possa anunciar chuva. O nevoeiro nunca se forma com o céu nublado ou com muito vento. Quando o nevoeiro anda baixo e, muito especialmente, quando anda pelos vales, é sinal de bom tempo, e se pelo contrário anda pelo cume dos montes é sinal de chuva. Daí o:  “Se a névoa ao vale baixar, vai para o mar, mas se pelos montes se atrasa, fica em casa”.
No Verão e no Outono, um nevoeiro ténue, de manhã, que desaparece com o Sol, é sinal de bom tempo. Se ele se forma com Sol é de contar com chuva, ou pelo menos tempo enevoado todo o dia.



Se se formar nevoeiro para W com bom tempo, é sinal de mudança de tempo ocorrendo vento forte dessa direcção. É também, de contar com vento forte de W ou SW, quando uma barra de nevoeiro se forma numa dessas direcções. Quando, após um tempo chuvoso, ou melhor, mau tempo, aparece nevoeiro, este indica-nos o final da tempestade e o início do bom tempo. “Depois de chuva, nevoeiro, tens bom tempo, marinheiro”.



Os ditados populares são o testemunho de muita sabedoria. São a síntese de um saber colectivo de gerações. Neste contexto fez-se uma pesquisa e partilhamos aqui alguns desses outros ditados relacionados com a meteorologia:



. “Se o Inverno não erra caminho, temo-lo pelo São Martinho”
. “Entrudo borralheiro, Páscoa soalheira”
. “Leste escuro, Sol seguro”
. “Céu escamado, ao terceiro dia molhado”
. “Chuva de ascensão, dá palhinhas e pão”
. “Assim como vires o tempo de Santa Luzia ao Natal, assim estará o ano mês a mês até final”
. “Alto mar e não de vento, não promete seguro o tempo”
. “Gaivotas em terra, tempestade no mar”
. “Se em Outubro te sentires gelado, lembra-te do gado”
. “Boa noite, após mau tempo, traz chuva e vento”
. “Dezembro frio, calor no estilo”
. “Abril molhado, sete vezes trovejado”
. “Depois da tormenta, sempre vem a bonança”
. “Em Abril, Águas mil, canta o carro e o carril”
. “Abril, ora chora, ora ri”
. “As manhãs de Abril são doces de dormir”
. “Em 1 de janeiro sobe ao outeiro, se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar”
. “Em Janeiro, seca a ovelha no fumeiro, em Março no prado e em Abril, se vai urdir”
. “Em Janeiro, 7 capelos e um sombreiro”
. “Aproveite Fevereiro, quem folgou Janeiro”
. “Em dia de São Matias, começam as enxertias”
. “Fevereiro quente, traz o diabo no ventre”
. “Neve em Fevereiro, presságio de mau celeiro”
. “Quando não chove em Fevereiro, nem pratos nem centeio”
. “Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado”
. “Não há mês mais irritado do que o Abril zangado”
. “Em Maio, cerejas ao borralho”
. “Maio frio, Julho quente, bom pão, vinho valente “
. “Guarda pão em Maio, e lenha para Abril”
. “Em Junho, foice em punho”
. “Junho floreiro, paraíso verdadeiro”
. “Chuva Junhal, fome geral”
. “Ande onde andar o Verão, há-de vir no São João”
. “Julho fresco e Janeiro chuvoso, ano perigoso”
. “Em tempo de cuco, pela manhã molhado e à tarde enxuto”
. “Não há melhor amigo, que o Julho com o seu trigo”
. “Em Agosto, orvalho no rosto”
. “O mês de Agosto, será se for bonito, o 1 de Janeiro”
. “Em Fevereiro chuva, em Agosto uva”
. “Ao quinto dia verás que mês terás”
. “Água de Julho, no rio não faz barulho”
. “Vindima molhada, pipa depressa despejada”
. “São Miguel soalheiro, enche o celeiro”
. “Águas verdadeiras, por São Mateus as primeiras”
. “Em Outubro sê prudente, guarda o pão, guarda a semente”
. “Vindima em Outubro, que São Martinho to dirá”
. “Outubro quente, trás o diabo no ventre”
. “Em Novembro, pelo São Martinho, lume, castanhas e vinho!...”
. “Pelo São Martinho, deixa a água para o moinho”
. “Nevoeiro de mais de três dias, durará oito”
. “Dos Santos ao Natal, ou bom chover ou bom nevar”
. “Se em Novembro ouvires o trovão, o ano que vem será bom”
. “Assim como vires o tempo de Santa Luzia ao natal, assim estará o ano, mês a mês, até final”
. “Mal vai a Portugal, se não há três cheias antes do Natal”
. “Ande o frio por onde andar, pelo Natal há-de chegar…”


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