sexta-feira, 27 de julho de 2012

Orgulho da engenharia virou desafio à paciência dos motoristas...


Orgulho da engenharia virou desafio à paciência dos motoristas...

Mais de quatro décadas depois de sua inauguração, Ponte Rio-


Niterói recebe cerca de 150 mil veículos diariamente



RIO – À frente da comitiva, no Rolls Royce presidencial em marcha lenta, o general Emílio Médici e o ministro dos Transportes, Mario Andreazza, faziam a primeira travessia oficial da Ponte Presidente Costa e Silva – ou Rio-Niterói. A imagem histórica representava a conclusão, em 4 de março de 1974, do maior símbolo do governo militar. No auge da ditadura, a “obra do século” colocava o país no topo da engenharia mundial. Mais de quatro décadas depois, cerca de 150 mil veículos refazem, diariamente, o trajeto inaugurado naquela segunda-feira ensolarada.
Presidente Emílio Garrastazu Médici e seu ministro Mário Andreazza na inauguração da ponte
Presidente Emílio Garrastazu Médici e seu ministro Mário Andreazza na inauguração da  ponte
— O Victor Combotanassis (já falecido) era repórter da sucursal de Niterói do GLOBO. Ele contava que foi o primeiro a cruzar a ponte naquele dia, de moto, antes de o presidente chegar — lembra o jornalista Paulo Cezar Pereira, que foi repórter do GLOBO entre 1974 e 1989 e cobriu, junto com Victor, a inauguração.
Na véspera e no dia da inauguração, O GLOBO indicou em mapas os acessos criados e reforçou que seria proibido circular a pé ou de bicicleta, assim como estacionar nas pistas. Mas, nos primeiros dias, os motoristas não resistiram a uma paradinha no Vão Central para apreciar a vista. Depois de cinco anos e Cr$ 990 milhões de gastos (cerca de R$ 2,5 bilhões, em valores atualizados), a então terceira maior ponte do planeta era brasileira – hoje está no 11º lugar.
— O grande desafio era vencer a desconfiança da sociedade. As pessoas eram céticas em relação à conclusão do empreendimento, achavam que seria um elefante branco. Por isso, a gente tinha que se esforçar — recorda o engenheiro Carlos Henrique Siqueira, que entrou no projeto em 1972 e trabalha até hoje como consultor da Ponte. – Eram 10 mil operários e 200 engenheiros. Não tinha sábado, domingo ou feriado. Tudo era gigantesco, e havia um cronograma a ser cumprido.
Projetada para 50 mil veículos por dia, a Ponte hoje, saturada, tem fluxo médio de 150 mil – o recorde num só sentido foi numa sexta-feira, véspera do carnaval de 2009, quando passaram 99 mil veículos em direção a Niterói.
Depois de 20 anos sob comando da CCR Ponte, a via foi assumida em 1º de junho pela concessionária EcoPonte, cuja missão é, justamente, realizar obras nos acessos que desafoguem o trânsito.

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