segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Por que zika foi identificado em humanos nos anos 50 mas só virou epidemia agora?

Aedes aegypti (Foto: Luis Robayo/AFP)Aedes aegypti é o mosquito responsável pela transmissão d o zika (Foto: Luis Robayo/AFP)















Descoberto em humanos pela primeira vez em Uganda, na África, em 1947....

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O vírus zika se espalhou pela Ásia e pelo Pacífico até chegar às Américas. O primeiro caso registrado no continente foi na ilha de Páscoa, no Chile, em 2007, mas a maior epidemia já registrada ocorre atualmente no Brasil.
Uma suspeita alarmante....
Contágio atravez da saliva e fluidos corporais..."Ainda não confirmado mas".... 
 Nossa missão... Alertar, prevenir, com seriedade
Apesar de existir há mais de meio século, por que somente agora o zika espalhou-se de forma ampla?
Especialistas ouvidos pela BBC Brasil apontam um alinhamento de fatores que permitiram a popularização do vírus a níveis "alarmantes", com casos reportados em mais de 24 países nas Américas, como definiu a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan.
"Há diversas determinantes para isso", explica Antoine Flahault, diretor do Instituto de Saúde Global da Universidade de Genebra. A popularização das viagens internacionais é um dos motivos. "O aumento dos deslocamentos com aviões ajuda na disseminação do vírus. É muito fácil exportar casos de zika, dengue e chikungunya".
Outro aspecto é a popularidade do vetor. "Há ampla presença do mosquito. O Aedes aegypti está praticamente em todos os lugares do mundo e é muito difícil erradicar esse mosquito", continua Flahaut.
Segundo ele, em contraste com o mosquito transmissor da malária, Anopheles, o Aedes aegypti se adapta muito bem ao meio urbano e isso contribui para inflar ainda mais a epidemia.
Microcefalia; Criança com microcefalia em hospital do Recife (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)Criança com microcefalia em hospital do Recife (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Em países onde houve desenvolvimento econômico levando comunidades a migrar do campo para a cidade foi registrada uma diminuição nos casos de malária. Mas o mesmo fenômeno não se aplica à zika, justamente pela alta adaptabilidade do mosquito, explicou à BBC Brasil.
O aquecimento global também poderia estar contribuindo para a propagação do vírus. "Já foi comprovado por climatologistas o impacto (das mudanças climáticas) no surto de chikungunya no Oceano Índico em 2005 e eu suponho que, embora ainda não comprovado, isso também se aplique ao zika", disse Flahault.
Mudanças
O diretor do departamento de vigilância e resposta do ECDC, Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, órgão da União Europeia responsável por questões de saúde, Denis Coulombier, aponta que a maior circulação de pessoas não é a única justificativa para o dramático aumento dos casos.
 
"Sim, há um aumento nas viagens, mas você não pode excluir que houve uma mudança no vírus, o que ocorreu ao longo do tempo. Houve também uma mudança no mosquito. Sabemos que as populações de mosquitos mudam com o tempo, se adaptam. Isso é claramente multifatorial", aponta Coulombier.
Ele diz acreditar que as mutações sofridas pelos organismos envolvidos no ciclo da doença - o vírus e o vetor - contribuíram decisivamente para a propagação atingir o "ponto limiar".
"É um efeito de ponto limiar. Por muitos anos houve pequenos surtos que não resultaram em uma grande fogueira, mas de repente um caso irá mais adiante e resultará em um grande incêndio, que é a epidemia", continua.


Para Coulombier, a América Latina é especialmente suscetível por não ter sido anteriormente exposta ao vírus. Segundo ele, as populações não possuem anticorpos de resistência à doença.
"Sabemos que nesses casos a primeira onda de infecções é a que registra maior número de casos, porque o vírus está chegando a uma população completamente virgem".


Alarmante
Em declaração no plenário do encontro executivo da OMS, a diretora-geral da organização, Margaret Chan, reforçou que o vírus mudou rapidamente de perfil, passando de uma "ameaça moderada" para uma de "proporções alarmantes".
Alguns aspectos que preocupam a comunidade internacional são justamente os pontos levantados por Flahault e Coulombier: a dispersão internacional do vírus e a falta de imunidade na população.
Margaret Chan ainda destacou o fenômeno climático El Niño como catalisador da popularização do mosquito.

Também estarão na pauta do encontro a associação - ainda não completamente desvendada - entre o vírus e a má-formação de bebês, a ausência de vacina e de diagnóstico imediato e a busca de um alinhamento a respeito de eventuais alertas internacionais emitidos a viajantes.

Esses e outros pontos de preocupação internacional serão abordados numa reunião emergencial convocada para a próxima segunda-feira.

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