quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O raio... Conhecimento, ensinamentos que poderão salvar muitas vidas!

O raio... Conhecimento, ensinamentos que poderão salvar muitas vidas!





O Raio

Até chegarem o século XVIII e Benjamin Franklin, não existia uma explicação cientifica para o fenómeno do relâmpago: Um grande raio eléctrico, nem para o trovão: ruido que provoca a expansão explosiva do ar durante o seu percurso.







Hoje sabemos que se produzem devido a diferenças de potencias na ordem de um milhão de volts por metro no interior das nuvens de tempestade, ou entre estas e o solo terrestre. Estas descomunais cargas eléctricas são provocadas pelos movimentos contrários de gelo e água que no seio da nuvem de tempestade sobem e descem freneticamente devido aos ventos. Os relâmpagos podem percorrer uma distância de até 30 km ou arquear a sua trajectória para mais de 10 km de distância do núcleo central da tempestade e à sua passagem a temperatura do ar pode atingir os 30.000ºC. Em todo o planeta ocorrem em média 6.000 trovoadas por minuto. Franklin sonhava em “domesticar” esta energia através de gigantes cometas.







Para não nos focalizarmos demasiado na parte técnica, em benefício da parte prática, resumiremos o tema dizendo que a própria actividade que tem lugar no interior do Cb origina uma clara separação de cargas positivas e negativas (iões), normalmente presentes na atmosfera. As cargas negativas concentram-se na parte inferior da nuvem, que se carrega de electricidade ao mesmo tempo que se acumulam cargas positivas em todos os elementos situados no solo na sua zona mais próxima da nuvem. Esta acumulação é especialmente sentida nas pontas metálicas desse solo. Quando a diferença de potencial é suficiente, produz-se a descarga eléctrica (várias descargas percorrendo o mesmo percurso originam o raio) que se vê como uma luz (relâmpago). Por outro lado produz-se uma explosão (trovão) através do canal de descarga dos gases gerados pelo aquecimento provocado pela libertação dos referidos 30.000ºC alusivos, podendo-se libertar tensões de cem milhões de volts, com intensidade de corrente de várias dezenas de milhar de amperes, e tudo isto a uma velocidade que se calcula entre 10.000 e 100.000 km/s. O raio pode derreter inclusive milímetros de rocha que imediatamente fica vitrificada.







As descargas eléctricas que se produzem durante uma tempestade podem saltar de nuvem para nuvem (relâmpago) ou chegar de uma nuvem até à terra (raio). O raio percorre o caminho de menor resistência entre a nuvem e a terra (a linha mais curta através do ar).
O ar deixa de ser um bom isolante quando está sujeito a uma pressão eléctrica suficientemente alta, pois então ioniza-se e converte-se em condutor e geralmente, nessas ocasiões, sente-se um odor característico a ozono. Um zumbido parecido com o das abelhas e um arrepiar do cabelo anunciam uma descarga iminente.
O raio é electricidade. Quando os mais de cem mil milhões de electrões de um raio normal alcançam o cume de uma árvore não se fica por aí, mas estende-se de imediato em todas as direcções.
Uma descarga eléctrica num determinado ponto irradia-se imediatamente para fora e para baixo, diminuindo o perigo à medida que a distância do ponto de impacto aumenta.
Em consequência existem dois perigos que podem afectar o montanheiro, o impacto directo de um raio e as correntes de terra.

Os possíveis riscos de uma trovoada são:

. Ser alcançado pela descarga de um raio ou do campo eléctrico subsequente à manifestação visível do mesmo, que pode produzir queimaduras graves, lesões internas, inconsciência, falhas do sistema nervoso central, paralisia, etc, e se afectar o sistema respiratório ou cardíaco, sobrevém a morte.







. Pode ser que nenhuma descarga eléctrica nos alcance, mas a simples onda expansiva da explosão, pode-nos fazer perder o equilíbrio e cair, o que poderá causar determinadas lesões.







. Provavelmente não ocorrerá nenhuma das situações vindas a focar atrás, além de uma perda da compostura habitual perante o stress psicológico que a trovoada pode provocar. Nesta situação, a ajuda de um companheiro menos stressado, será imprescindível.

Quando o montanheiro se encontra encurralado por uma tempestade com alto grau de acumulação eléctrica e perante a problemática do momento, é necessário conservar a calma e a serenidade.







Para nos protegermos do mortal impacto directo devemos em primeiro lugar sair de cristas e cumes, e mantermo-nos em locais onde existam saliências ou massas rochosas que estejam mais próximas das nuvens do que nós, que funcionarão como escudo.
As paredes protegem-nos desde que sejam altas e estejamos separados delas de entre 2 a 8 metros.
Evitar as chamadas correntes de terra é mais dificil, no entanto apresenta-se alguns conselhos para evitar ou minimizar as consequências destas:

-          Evitar as zonas molhadas, fendas e canais.

-          Procurar ocupar pouco espaço, colocando os pés juntos e as mãos afastadas do solo, sentados e agachados e se possível sobre objectos isolantes, como uma corda enrolada, um saco de dormir, uma mochila, etc, de preferência secos.

-          Afastar de pequenas depressões, escolher em vez disso uma elevação estreita e fina, uma rocha solta numa zona inclinada é excelente.

-          Não há necessidade de abrigar em pequenos tectos, locais isolados ou pequenas covas. As covas grandes são adequadas se nos mantivermos sentados (na mochila ou algo similar) e afastados das paredes e da entrada (pelo menos a 1 metro de dois lados, do tecto e da entrada e a 2 metros do fundo), no entanto uma cova pode constituir o final de uma fenda ou um desaguamento, pelo que se for este o caso deve-se evitar.








-          Se nos encontramos numa plataforma, devemos sentar-nos no bordo exterior, afastados da parede, se for possível a um mínimo de 1,20 m, ficando atados se existir o perigo de caír após uma descarga eléctrica, colocando a união perpendicularmente ao possível fluxo da corrente eléctrica. Não devemos colocar a corda por debaixo das axilas, o ideal será prender a corda ao tornozelo (o mais afastado possível do coração).

-          Deve evitar-se descer em rappel quando exista perigo de raios, mas pode ser válido se for para nos afastarmos de uma zona de maior perigo.

-          As peças metálicas do equipamento não atraem (contra a crença popular) os raios, apenas são boas condutoras da electricidade, pelo que se aconselha coloca-las afastadas do contacto com o corpo.







Tal como já referimos em publicações anteriores, interpretar a distância que se encontra a tempestade pode ser útil para tomar medidas preventivas. Assim, a distância pode-se calcular contando os segundos que decorrem desde que se vê o relâmpago (velocidade da luz, quase instantânea) até que se escuta o trovão (velocidade do som 340m/seg.) e dividindo esse número de segundos por três. Esse cálculo dir-nos-á a distância aproximada em km. A velocidade de deslocação das tempestades é aproximadamente de uns 30 ou 40 km/hora. Outro método será calcular os segundos passados entre a descarga eléctrica e o trovão, multiplicando-se este número por 340 m/seg. (velocidade do som). O resultado em metros, será a distância a que se encontra a tempestade.







Por último convém lembrar que nos refúgios de montanha e nos veículos, devem ser tomadas também precauções para evitar as correntes de ar que podem atraír os raios, fechando-se janelas, portas e afastando-nos das chaminés.





Como actuar perante uma tempestade

Indicadores prévios

Quando as tempestades são de carácter local, será difícil prever o local exacto onde se vão formar. Os serviços meteorológicos apenas podem prevenir sobre a possibilidade de formação a nível regional ou num determinado maciço, e não sobre uma montanha ou um vale concretos. Conhecem-se casos em que a velocidade de crescimento de um Cb alcançou a velocidade de 60 km/h, o que significa que se a base da nuvem se formar a 1000 metros de altura, ao fim de 5 minutos, a torre alcançará os 6 km de altura. Isto pode-nos dar uma ideia clara sobre a escassa margem de manobra que podemos ter para agir perante a presença de sinais indicadores num céu pré-tempestuoso, com a finalidade de suspender a actividade e descer para o vale ou procurar um refúgio seguro.








Vamos abordar alguns desses sinais:

. As tempestades chamadas “de calor” são precedidas de um período de uns 7 a 10 dias com temperaturas muito acima do normal.

. As montanhas submetidas à confluência de ventos de distintas proveniências levam todas as características necessárias perante uma situação geral de baixas pressões sem frentes associadas, reforçando ainda mais a actividade convectiva. Isto acontece particularmente, nas zonas influenciadas pelos ventos maritimos carregados de humidade.

. Se antes do meio-dia existirem nuvens cumuliformes com desenvolvimentos verticais significativos sobre as cristas e pendentes orientadas a Sul e a Este, deve-se desconfiar. Se estas se encontrarem a barlavento, ou seja, de frente para o vento dominante, a instabilidade reforça-se ainda mais.







. Se a partir do meio-dia o céu estiver carregado, caótico, com formações nublosas a distintas alturas, pesado e inerte, é muito provável que os cúmulos e inclusive um Cb estejam camuflados entre estratos e outros cúmulos pequenos que nos podem impedir a sua detecção. A atmosfera ficará especialmente aquecida e abafada. No entanto estará presente o regime habitual ascendente de uma brisa de vale. A situação ainda pode ser reversível, pode ser que não chegue a haver tempestade, dependendo da magnitude dos factores já conhecidos.

. Uma elevação brusca da pressão atmosférica com uma prévia pressão inferior à média normal do local, será um dado enganoso. Apenas indicará a iminente erupção de vento e uma mais que provável e posterior descida da pressão.

. A pelagem dos animais carrega-se de electricidade estática, pelo que será aconselhável afastar-nos deles (os rebanhos de ovelhas são muito perigosos).

. Antes de se manifestar qualquer forma de precipitação ou aparato eléctrico, as faixas de vento frio e descendente, fazem-se notar. Pouco a pouco, as toneladas  de ar que o Cb envia, cada vez com mais força, irromperão pelas colinas, anulando as brisas ascendentes dos vales, e aí a “panela” está em vias de transbordar.

. Uma vez que ainda não esteja por cima de nós, e como já vimos anteriormente, primeiro  vê-se o relâmpago e depois ouve-se o trovão. Quanto menor for o tempo decorrido entre ambos, mais próxima se encontrará a tempestade do lugar onde nos encontremos.

. A eminência de um raio é determinada por sinais como um zumbindo ou um sibilar no ar ou pelo eriçamento dos cabelos ou pêlos.



No próximo artigo voltaremos a este tema. Esperamos que os mesmos sejam úteis, pois é com esse objectivo que partilhamos estes conhecimentos.




Até chegarem o século XVIII e Benjamin Franklin, não existia uma explicação cientifica para o fenómeno do relâmpago: Um grande raio eléctrico, nem para o trovão: ruido que provoca a expansão explosiva do ar durante o seu percurso.

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