sexta-feira, 12 de julho de 2013

Com muitos gols e polêmicas "feras de Saldanha" quase foi a Seleção em 70...

Com muitos gols e polêmicas "feras de Saldanha" quase foi a Seleção em 70...

Equipe que encantou em 1969, time perdeu a chance de jogar a Copa de 

1970 após diversos problemas fora do campo do treinador


Seleção de 70 posa ao lado de Médici (Foto: Hulton Archive/ Getty Images)
Félix, Carlos Alberto Torres,  Djalma Dias, Joel Camargo,  Rildo,  Piazza,  Gérson,  Jairzinho, Tostão,  Pelé e Edu . Esta escalação poderia estar na boca de muitos saudosistas como o grande time que consquistou o tricampeonato do mundo no México em 1970 caso João Saldanha, que faria 96 anos nesta quarta-feira (3), seguisse sob o comando da equipe canarinho, conhecida como as "feras de Saldanha" durante as Eliminatórias para a Copa em 1969. 
Logo ao assumir a Seleção para o torneio classificatório, Saldanha deu o recado: só convocaria "feras" para a sua equipe, daí a alcunha pela qual ficou conhecida. Para acomodar tamanho número de craques, o treinador ousou e resgatou o esquema tático 4-2-4 na Seleção, abandonado desde 1962. Pelé e Tostão tinham a obrigação de ajudarem na criação de jogadas, enquanto Edu e Jairzinho jogavam em velocidade pelas pontas. 
A ousadia deu certo. Foram impressionantes 23 gols em apenas seis partidas, e o passaporte carimbado para o México em 1970. Com tamanha qualidade, era díficil imaginar outro técnico além de Saldanha na Seleção, mas logo após o final das Eliminatórias começaram os problemas. 
Os motivos que levaram à queda do "João Sem Medo" nunca foram completamente esclarecidos, mas uma combinação explosiva de fatores dentro e fora de campo contribuíram para a demissão do treinador. 
Dentro das quatro linhas, os resultados começaram a não aparecer depois da classificação para a Copa. As "feras" conquistaram apenas uma vitória em quatro amistosos, incluindo um supreendente empate contra o Bangu por 1 a 1 e uma derrota por 2 a 1 para a seleção mineira. Além disso, boatos diziam que os líderes do grupo, como Pelé e Carlos Alberto Torres, não gostavam do estilo do treinador e faziam "corpo mole" para derrubá-lo. 
Mas as principais polêmicas estavam fora de campo. Em março de 1970, o treinador chegou a invadir a concentração do Flamengo com um revólver na mão para tirar satisfações com o técnico Dorival Knipel, o Yustrich, que criticou fortemente Saldanha em uma entrevista dias antes. 
Mas para muitos Yustrich não foi o rival mais poderoso que Saldanha enfrentou, e sim o general Emílio Garrastazu Médici, presidente do Brasil no auge da "linha-dura" da ditadura militar. Não bastasse o desagravo de Saldanha ser um reconhecido comunista no comando de um dos principais objetos de propaganda do governo,  o treinador chegou a provocar diretamente o general.
Torcedor do Atlético-MG, Médici pedia o atacante Dario na Seleção, mas João repondeu com um seco "o presidente escala o ministério dele e eu escalo o meu time", fazendo muitos acreditarem que a saída dele da equipe canarinho teve motivações políticas. 
O fato é que após anunciar no dia 17 de março de 1970 que pouparia Pelé em um amistoso contra o Chile, Saldanha foi removido do comando da Seleção. Para seu lugar, assumiria Mário Jorge Lobo Zagallo, campeão  do mundo como jogador em 1958 e 1962. O novo comandante dissolveu o esquema com quatro atacantes e viu a Seleção ser campeã no México, jogando para muitos o futebol mais bonito da história. 
Já Saldanha nunca mais treinaria uma equipe de futebol, dedicando o resto da sua vida ao jornalismo. Curiosamente, ele passaria seus últimos dias cobrindo uma Copa do Mundo. O ex-treinador morreu no dia 12 de julho de 1990 em Roma, quatro dias depois do Mundial da Itália, torneio no qual a Seleção ficou conheda por jogar um futebol defensivo e sem criatividade, estilo totalmente oposto ao das "feras de Saldanha"

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