segunda-feira, 24 de junho de 2019

AS COMIDAS MAIS BIZARRAS DO MUNDO "LOUCURA"?


Para muitos de nós, os itens que encontramos nos cardápios de certas regiões do mundo são incrivelmente bizarros. Assim como para muitos outros povos o simples ato de comermos hambúrgueres é uma afronta não somente à arte culinária, como também aos seus costumes e crenças. Portanto, deixando de lado os tabus culinários e as diferenças culturais, façamos uma saga gastronômica em busca das comidas mais estranhas ao redor do mundo.

 


Esquilo, Uganda.
Acredito que, dos cinco sentidos, o paladar é o mais pervertido: saliva, morde, mastiga, degusta e, por fim, engole. O processo gustativo é uma verdadeira viagem em busca do prazer. É demorado, sensível e engenhoso. É como fazer amor com os sabores, um a um, e ao mesmo tempo.
Mais extraordinário ainda é desenvolver tal sentido em busca das mais diversificadas experiências gastronômicas. E muitas delas vão muito além dos sabores. Em alguns lugares ao redor do mundo, o ato de se alimentar é uma experiência complexa, tanto na maneira como se prepara o alimento, quanto na maneira como se serve e se come.

As tradições culinárias de um país ou duma região são determinadas não somente por fatores geográficos, mas também pela cultura e, não raro, pela religião, fazendo da comida a identidade de um povo.

 


Olhos de gnu cozidos envoltos no estômago do animal, Namíbia.

 


Placenta de vaca para venda no mercado, India.

Nas partes mais remotas do Alasca se come salmão cozido em urina de cavalo. O cozimento se dá até o peixe virar uma espécie de geleia. No México encontramos os famosos “escamoles”, considerados um manjar dos deuses no país: o prato é nada mais do que ovas de formiga.

No Vietnã, Camboja e nas Filipinas uma das iguaria é o ovo balut. São ovos de pato fertilizados com o embrião em desenvolvimento. São cozidos e servidos na casca. Também são famosos por supostamente conterem propriedades afrodisíacas. Em Cingapura o escorpião frito é vendido em atacado. O animal é fervido antes para extinguir seu veneno e depois frito em óleo quente. É vendido nas ruas e mercados. Na China e Vietnã é muito comum a sopa de morcego. Na Coréia do Sul e Sul da China, é muito comum a sopa de cachorro.

 


Testículos de cordeiro, Marrocos.
Ainda no cardápio de sopas, na culinária chinesa está uma das iguarias mais caras ao redor do mundo: sopas de ninhos comestíveis de pássaros. Esses ninhos são feitos com a saliva de alguns pássaros da família dos andorinhões. Rico em nutrientes, o ninho também pode ter propriedades medicinais. Um prato desta sopa pode ser vendido por até 150 dólares. Um quilo da especiaria custa entre 2 mil e 10 mil dólares.

No interior da Amazônia, no Brasil, come-se turu, um molusco que vive em raízes podres de árvores. Alguns povoados o comem vivo e cru. Também pode ser preparado como sopa. Em algumas regiões da África o cérebro de macaco é uma iguaria. Conserva-se em salmoura e, finalmente, é cozido com ervas. Em partes da América do Sul, sul da África, Austrália e Camboja, a boa pedida é a caranguejeira ou tarântula frita. Já nas Filipinas, as fezes de peixe são consideradas um dos pratos de maior requinte do país.

 


Embrião de Ballut.

As bebidas também entram em nossa odisséia gastronômica. Na Tanzânia, por exemplo, uma bebida típica é o sangue de vaca com leite fermentado, considerada um energético. Já na Coréia, um tônico da saúde é o vinho de ratos bebês. Os ratos ainda pequenos são colocados em uma garrafa com vinho de arroz para fermentar. Na China, bebe-se vinho de pênis de veado. O pênis do animal é jogado dentro de uma garrafa de licor e deixado lá até apodrecer. Por falar em pênis: na cidade de Pequim existe um restaurante especializado em servi-los sob todas as formas compreendidas na culinária peniana.

Especialidade da Casa

Queijo de larvas, morcegos na brasa, peixe podre desenterrado e olhos de gnu são apenas mais algumas das peculiaridades que encontramos por aí. Mas essas peculiaridades são muito mais do que comida, são cultura. Um conto que se ouve, um tempero que se joga, uma panela velha. Pronto, temos os três pilares para entender e apreciar a arte culinária de um povo: história, cultura e experiência. Posto isto, alguém aí se dispõe a experimentar?

 


Estômago de porco, India.

 


Escorpião no camarão, California, USA.

O QUE SEMPRE FOI CURIOSIDADE! O QUE "COMEMOS" NUMA SEMANA? PARTE 2


 Comida Alimento Fome Excesso Ocidente Cultura Alemanha USA Italia Mexico Polonia Egito Equador Butao Chad

Praticamente todas a sociedades ocidentais possuem uma cultura que convida ao consumismo e ao excesso, não sendo excepção, como é óbvio, a alimentação. Originalmente publicado na comunidade Gaia, mais precisamente no blog da Amber, estas imagens permitem-nos ter uma noção da quantidade de comida que uma família consome durante uma semana, bem como os preços relativos gastos em cada uma das realidades.

Confesso que a primeira impressão foi de espanto, quase de incredulidade perante o volume. Depois, foram as observações óbvias de tudo aquilo que não é essencial, mas um mero reflexo do espírito consumista de algumas sociedades mais ocidentalizadas.

Para digerir com calma...

Alemanha - A família Melander - Total gasto numa semana: US $500 




Estados Unidos - A família Revis, Carolina do Norte - Total gasto numa semana: US $341 




Itália - A família Manzo, Sicilia - Total gasto numa semana: US $214 




México - A família Casales, Cuernavaca - Total gasto numa semana: US $189 



Polónia - A família Sobczynscy - Total gasto numa semana: US $151 




Egipto - A família Ahmed, Cairo - Total gasto numa semana: US $68 



Equador - A família Ayme, Shingkhey Village - Total gasto numa semana: US $31 




Butão - A família Namgay - Total gasto numa semana: US
$5

  

Chad - A família Aboubakar, Breidjing Camp - Total gasto numa semana: US $1 

O QUE SEMPRE FOI CURIOSIDADE! O QUE "COMEMOS" NUMA SEMANA? PARTE 1


PUBLICADO EM FOTOGRAFIA POR .

 Comida Alimento Fome Excesso Ocidente Cultura Alemanha USA Italia Mexico Polonia Egito Equador Butao Chad


Praticamente todas a sociedades ocidentais possuem uma cultura que convida ao consumismo e ao excesso, não sendo excepção, como é óbvio, a alimentação. Originalmente publicado na comunidade Gaia, mais precisamente no blog da Amber, estas imagens permitem-nos ter uma noção da quantidade de comida que uma família consome durante uma semana, bem como os preços relativos gastos em cada uma das realidades.

Confesso que a primeira impressão foi de espanto, quase de incredulidade perante o volume. Depois, foram as observações óbvias de tudo aquilo que não é essencial, mas um mero reflexo do espírito consumista de algumas sociedades mais ocidentalizadas.

Para digerir com calma...

Austrália - Família Brown, River view - Total gasto numa semana: US$376 


Alimento Comida excesso Ocidente

Guatemala - Família mendoza, Todos os Santos - Total gasto numa semana: US$75,50 


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Luxemburgo - Família Kuttan-Kases, Erpeldange - Total gasto numa semana: US$465,84 


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India - Família Patkars, Ujjain - Total gasto numa semana: US$39,27 


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Estados Unidos - Família Fernandezes, texas - Total gasto numa semana: US$242,48 


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Mali - Família Natomos, Kouakourou - Total gasto numa semana: US$26,39 

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Canada - Família Melansons, Iqaluit, Nunavut Territory - Total gasto numa semana: US$345 

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França - Família Moines, Montreuil - Total gasto numa semana: US$419,95 

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Greenland - Família Madsens, Cap Hope - Total gasto numa semana: US$277,12 

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Turquia - Família Celiks, Istanbul - Total gasto numa semana: US$145,88 

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RAMÓN Y CAJAL: O HOMEM QUE DESENHOU O CÉREBRO HUMANO.



Médico, militar, barbeiro, professor, director, Ramón y Cajal marcou a história da medicina com um contributo notável: delineou as células nervosas cerebrais e as suas ramificações. O Nobel, em 1906, viria a premiar uma descoberta científica mas, principalmente, uma personalidade, outras formas de “rebeldia”. Do seu trabalho ficaram, além das descobertas científicas, ilustrações que são verdadeiras obras de arte.


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Rebeldia sem interesse na educação Santiago Ramón y Cajal (1852 – 1934) foi, para uns, o fundador da neurociência moderna e, para outros, um puro exemplo de polivalência. Marcou uma área científica pela sua obra. Não deixou de marcar, igualmente, a mentalidade de gerações pela sua vida e pela sua irreverência. Nasceu numa aldeia com baixos recursos, de Navarra, e viveu a juventude com os pais e irmão. Ainda criança, interessou-se pela pintura. Em 1864, tomou o gosto pela ginástica e, antes de iniciar os estudos de preparação para Medicina, em Saragoça, descobriu a fotografia. Entretanto, foi para Huesca com o irmão e trabalhou como ajudante de barbearia e aprendiz de sapateiro.
O pai, um barbeiro/cirurgião que depois se formou em Medicina, insistia que ele seguisse a mesma carreira, o que desagradou ao filho, mais interessado pela arte. A revolta não tardou: com 11 anos, foi encarcerado por ter destruído as portas da localidade onde morava com um canhão feito em casa. A rebeldia, alimentada pelo desinteresse na educação desejada pelo pai, marcou também os seus primeiros anos na Universidade. O futuro iria trazer mudanças inesperadas… ou talvez não.
“Um médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe” O médico português Abel Salazar (1889-1946) celebrizou esta expressão que, claramente, caracteriza Ramón y Cajal. Desde a juventude até mesmo após a reforma, experimentou e desenvolveu os seus diferentes gostos, principalmente o da Medicina. Em 1873, terminou a licenciatura e foi nomeado médico no Corpo Médico Militar. Depois do curso e do doutoramento, interessou-se pela histologia/patologia e fez uma carreira academica brilhante.
Em 1885/86, os seus estudos em histologia resultaram no Manual de Histologia, ainda hoje considerado relevante no estudo da Medicina. Publicou em 1904 A Textura do sistema nervoso do Homem e dos vertebrados uma das suas obras mais conceituadas. Afinal, prenúncio de uma carreira “premiada” de interesses vários que atingiu o júbilo quando, em 1906, recebeu em parceria com Camillo Golgi o Prémio Nobel da Medicina. Ainda teve tempo para recusar o cargo de Ministro da Instrução Pública de Espanha.
Desenhar o cérebro: as borboletas da alma Em 1903, Cajal iniciou a sua investigação sobre a fisiologia do sistema nervoso. Os avanços científicos que fez acerca da estrutura microscópica deste foram bastante importantes. Cajal estudou o percurso dos impulsos sensoriais na sua passagem pelo sistema nervoso central e a relação das células nervosas entre si. Usou o método de coloração do seu colega Camillo Golgi (com nitrato de prata e dicromato de potássio), aplicado em secções nervosas jovens. Cajal acabou por definir o sistema nervoso como sendo “um conjunto de unidades diferenciáveis e definíveis.” Defendia, portanto - ideia que demorou a ser aceite - que o sistema nervoso não era uma rede contínua, mas sim composto de células autónomas que se ligavam entre si por contiguidade, e não por continuidade. Os neurónios eram, portanto, as unidades anatómicas do sistema nervoso.
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Mas esta ideia carecia de demonstração. Durante anos, Ramón y Cajal dedicou-se à árdua tarefa de desenhar o que via nos seus preparados através do microscópio. São estes desenhos que nos chegaram e que, hoje como na época, impressionam pela sua qualidade técnica e artística - contributo do talento do cientista para as artes plásticas. Mesmo que não nos fascine o estudo científico, podemos deleitar-nos com a beleza destas estruturas. Muitos dos seus contemporâneos acharam, ao ver os desenhos, que se tratava de interpretações com algum grau de liberdade artística, e não de desenhos fiéis à realidade. Foi preciso que o espanhol mostrasse directamente os seus preparados a cientistas de renome para que estes reconhecessem o seu valor científico.
Olhando os desenhos delicados, é impossível não sentirmos o fascínio da investigação neurológica: afinal, o cérebro está hoje, cada vez mais, na vanguarda da investigação dos mecanismos biológicos responsáveis pela actividade da mente humana. Pensar que esta actividade do córtex, que nos torna uma espécie animal tão particular, decorre num meio com a beleza que Ramón y Cajal soube desenhar, faz-nos perceber o entusiasmo do espanhol ao descrever o seu trabalho:

"Era uma embriaguez deliciosa, um encanto irresístivel. É que, de facto, e deixando de lado os afagos do amor próprio, o jardim da neurologia brinda o investigador com espectáculos cativantes e emoções artísticas incomparáveis. Nele, os meus instintos estéticos encontraram plena satisfação. Como o entomólogo à caça de borboletas de matizes vistosos, a minha atenção perseguia, no pomar da massa cinzenta, células de formas delicadas e elegantes, as misteriosas borboletas da alma (...) a admiração ingénua da forma celular constituía um dos meus prazeres mais gratos. Porque, até do ponto de vista plástico, o tecido nervoso encerra belezas incomparáveis. Há nos nossos parques alguma árvore mais elegante e mais frondosa que o corpúsculo de Purkinje do cerebelo (...)?" (em Recuerdos de Mi Vida, 1917)

Cajal marcou irremediavelmente, não só a neurociência, mas a medicina, em geral. Nos anos seguintes, alargou o seu objecto de análise, deixando trabalho para o futuro estudo das patologias do sistema nervoso. Considerado por muitos como o maior neurocientista até hoje conhecido, a sua vasta vida profissional sai reforçada pelos traços pessoais: sem medo de seguir os seus interesses.


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